Ver os números, as mudanças, as reações e o silêncio tem me assustado diariamente. Tenho esperanças. Muita gente tem. Mas será possível que ninguém sente o que sinto? Tenho medo. Não das pessoas à minha volta. Tenho medo das que estão por perto e também das distantes. É que a revolta atinge todo mundo. Há sempre um estopim para que acontecam e eu, sinceramente, não quero nem pensar no que pode ser. Talvez eu até queira, para ver se consigo um jeito de interrompê-lo. A gente fala como se tivesse poder para tal, né? Mas é essa a vontade individual. Às vezes, coletiva também. O medo vira coragem, uma hora ou outra. E nos esquecemos que somos feitos de carne e osso; partimos pra cima com tudo e, no último segundo, nos lembramos dele. Naquele momento, já não importa mais.

Alexandre de Almeida

Alexandre de Almeida

Um virginiano falando sobre literatura, séries, música e cultura LGBTQIA + Sendo resistência desde que me entendo por gente.