Era um amor retorcido,

Puído que nem coador de café.

Parecia que nunca havia visto um remendo.

Chorava um veneno cegante, cortante.

Era um amor transitante, transeunte.

Pesado, pano molhado. Passado.

Uma meia velha, furada. Uma cueca de fundo rasgado.

Era falho e de odor duvidoso.

Era um amor horroroso, daqueles que a gente quer

Esquecer,

Mas não esquece.

Era um amor pútrido. Apertado.

Elástico morto em calção de banho.

Espécie de seda roída por traças e saraças.

Um buraco em meio às bolinhas repetitivas do lençol.

Era malha quente, daquelas que queima a pele.

Uma máscara de tecido pequena demais

Para o rosto de dois, três ou mais…

Era um amor incômodo,

Uma calcinha enfiada no cu.

Uma corda bamba, um fio dental, uma forca.

Era força, maré de azar, simpatia. Amarração.

Era um amor de trapos e farrapos

Perdido no fundo gaveta de baixo, à esquerda

Do maço de cigarros que ele tanto gostava de fumar.

Um virginiano falando sobre literatura, séries, música e cultura LGBTQIA + Sendo resistência desde que me entendo por gente.

Um virginiano falando sobre literatura, séries, música e cultura LGBTQIA + Sendo resistência desde que me entendo por gente.