Tenho contado pouco meus passos ultimamente. E por “passos” quero dizer “ações”, mesmo. Acho que você entende. É que a vida anda trabalhando mais no automático do que nunca. Mas não chega a ser monótono ou incômodo. Uma automação que vem a calhar, no momento. Talvez, se eu parasse para pensar, não estaria vivendo exatamente o que preciso viver ultimamente.

A questão é que parei de pensar em tudo. Algumas coisas ainda pedem algumas reflexões antes de suas execuções, mas vale à pena cair de cabeça na maioria das coisas que ando fazendo.

Pois bem. Agora veja: ainda tem muita gente dando opinião no que ando fazendo. Talvez esteja caindo mais cabeça nas decisões justamente porque parei de ouvir essas opiniões. Ou, como contei ao Estácio, meu amigo pisciano, criei uma barreira contra os palpites e pitacos alheios.

Ok, é um tanto rude da minha parte não escutar o que os outros têm a dizer. Mas não é mais rude ainda colocar defeitos em uma coisa que é meu sonho? Tipo, eu não vou mudar o propósito da minha vida por que meu tio, que mal conversa comigo, quer que eu mude, sabe? Parece errado. E está.

Eu parei de pensar nas coisas, e parece que agora os outros querem pensar nelas por mim. Assumir o papel da minha consciência — que andava bem tranquila antes dessas experiências desnecessárias — e começar a colocar os defeitos antes vistos pelos meus olhos e minhas ideias pessimistas.

Resta aguardar ou mostrar, a quem me cerca, a necessidade de apoio. Mas um apoio menos opinativo. Sabia que é possível fazer isso? Pois é… Pessoas como eu esperam ajuda para arrumar os livros nas estantes, limpar um espaço, divulgar um serviço ou mesmo só fazer companhia.

Nos acomodamos demais à vivência de receber as ideias dos outros sobre nossas vidas. Isso molda nossas próprias opiniões. Em alguns casos, molda excessivamente nosso estilo de vida. É como se você realmente precisasse de uma aprovação alheia para seguir em frente, quando a única aprovação necessária é a sua.

Quando quiser uma opinião, peça. Quando tiver uma opinião que realmente acrescente algo à vida de alguém, pergunte se a outra pessoa quer receber. Solicitude e intencionalidade são palavras que podem ser praticadas sem machucar ninguém.

Photo by David Clarke on Unsplash

Um virginiano falando sobre literatura, séries, música e cultura LGBTQIA + Sendo resistência desde que me entendo por gente.

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