Lendo as bizarrices de Junji Ito

Esse mangá estava na minha prateleira há algum tempo. De vez em quando eu pegava e não conseguia entender as imagens, mas deixava de lado por estar lendo outras coisas ou ocupado. Mas, esses dias, resolvi finalmente começar.

De cara, esse foi meu primeiro mangá. Nunca havia nem olhado sequer para esse formato de histórias em quadrinhos. Então, já se estranha o fato de “começar pelo fim”. Eu li o primeiro conto de Junji Ito todo errado. Quando finalmente entendi que você lê da direita para a esquerda em todas as sessões, reli todo o conto. E aí prossegui.

Foto do livro (por: Alexandre de Almeida)

Fragmentos do Horror” tem uma escrita rasa. Não que precisasse de textos complexos ou mais longos para entender suas histórias, mas me senti lendo algo com tanta naturalidade para as cenas mais macabras que já havia visto em um livro. Talvez isso mantenha o equilíbrio, não sei.

A peculiaridade de cada história é inegável. Em alguns pontos, os traços de Ito se diferem. Provavelmente, para não nos confundir de um ao outro. De uma forma criativa, ele aborda alguns problemas em algumas páginas — traição, morte, solidão etc. E, em outros momentos, Ito simplesmente ultrapassa qualquer barreira com a loucura. Nisso tudo, ainda encaixa vários traços da cultura japonesa, como sentar e dormir no chão, casas sem muitos móveis…

Destaco como mais bizarras “Monstro de Madeira”, “Pássaro Negro”, “Dissecação-chan” e “A Mulher que Sussurra”. Porém, uma em especial não é tão aterrorizante. “Suave Adeus” retrata uma jovem que se casa com um rapaz cuja família invoca os entes queridos logo após a morte, criando “imagens residuais” — fantasmas que não são fantasmas. O final, no entanto, é o que torna a história mais bonita do que assustadora.

Junji Ito tem outros mangás, e talvez eu os procure algum dia. Não imaginava o quanto a experiência com este seria marcante, e, provavelmente, as próximas também sejam.

Trecho do mangá (por: Alexandre de Almeida)

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Um virginiano falando sobre literatura, séries, música e cultura LGBTQIA + Sendo resistência desde que me entendo por gente.

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