Foto: Annie Spratt/Unsplash (edited)

Mudar faz bem e chorar também

Não precisa ser sobre a vida de todo mundo, mas esse texto é sobre um daqueles dias que não é dos melhores

Hoje aconteceu uma coisa no trabalho que me deixou muito triste, mas não vou entrar em detalhes. Às vezes, só dizer “hoje algo me fez mal” ou “não estou muito bem” já é desabafo suficiente. E todo mundo sabe: às vezes não dá pra controlar as emoções. A gente precisa chorar na frente de todo mundo mesmo, se mostrar frágil e derrubado, sabe?

As pessoas dizem “ah, você deve estar ciente que isso acontece em qualquer lugar, que não pode se apegar a tal coisa dessa maneira”. Mas elas estão redondamente enganadas, e eu já vivi decepções suficientes na vida para entender que posso me apegar a quem e ao que for sem temer que um dia isso chegue ao fim.

Ok, será só mais uma decepção, uma ferida, um sofrimento. E daí eu pergunto: não valeu à pena tudo que aprendi antes disso acontecer? Eu mesmo respondo: valeu. A gente dá muitos passos pelos nossos caminhos pedregosos e cinzentos. E todos eles valem as penas, os pelos, as lágrimas e as solas dos sapatos.

Só hoje eu percebi que nunca precisei ser uma pessoa desapegada. Na verdade, pensar assim foi meu maior erro. A ficha caiu: tudo que eu preciso ser é eu mesmo. Criar meu próprio valor afetivo para o quê ou quem quer que seja. Fazer meus amigos tranquilamente e deixá-los ir tranquilamente também. Alimentar meus sentimentos e deixá-los morrer de fome. Fazer um jogo diferente.

Quando me proponho às mudanças pelas quais já estou propenso a sofrer todos os dias, vejo que nem tudo precisa ser esse bicho de sete cabeças em que a gente transforma as coisas mais simples. Mas é preciso saber distinguir. Fazer autoanálise, criar e destruir situações e entender, por si só e de uma vez por todas, que a verdade sempre estará escondida. E para encontrá-la, eu preciso mudar.

Pronto: acabei de me desapegar da ideia de desapegar das coisas, das pessoas e dos momentos proporcionados pela simples equação que existe entre esses elementos. E isso foi uma mudança, e eu aceitei de bom grado, depois de tanto analisar e pensar a respeito.

Assistindo “Loja de Unicórnios” durante a viagem pra casa dos meus pais, percebi, na metafórica história de Kit e sua jornada pela conquista do unicórnio, que todos realmente temos um tempo certo. Ah, “Special”, uma série sobre um rapaz gay com paralisia cerebral saindo de casa aos 28 anos, também mostra que nunca é tarde para se transformar, se afastar ou se aproximar de alguém.

Sempre vou temer novas descobertas, mas com a mesma intensidade que vou abraçá-las. E posso tomar tudo o que aconteceu como uma lição de vida, claro. Na verdade, sempre são lições.

É, às vezes ver um filme ou maratonar uma série são boas alternativas para se distrair do pior dia que você já teve. Não tem nada de errado nisso — em muitas coisas.

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Um virginiano falando sobre literatura, séries, música e cultura LGBTQIA + Sendo resistência desde que me entendo por gente.

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Alexandre de Almeida

Alexandre de Almeida

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