nada se mexe.
não chove,
não faz sol.
nem fede
nem cheira.

os braços que abraçaram, caíram
com o peso que saiu dos ombros.
as pernas que correram, sentaram.
fizeram suas escolhas.

tudo parou.
nada se move;
o chão caminha,
mas os pés, não.
parece uma esteira,
uma lajota ambulante,
um teleporte amador,
uma ponte levadiça,
mas os pés…
nada se move.

será que finalmente tudo vai acabar?
se os pedaços de telha caíram,
signifca a queda do céu.
não há notícias;
não há sobreviventes.
porque não há movimento;
ação, andamento, rotação.

nada se move neste fim de mundo!
nem o fundo do poço
nem o poço profundo.
profundo? que balela!
andei mais descalço
que com os pés na chinela.
e só corri porque não havia
uma alma viva correndo.
precisava chegar antes…
precisava chegar. só.

me mexo demais, viu?
corro, ando, baixo, levanto.
tem dias que nem sei
o quanto peso:
se muito, se pouco ou se zero.
e isso só acontece
porque NADA se move por aqui.
neste fim de mundo.
céu caído.
poço profundo.

Foto: rvrmakes/Unsplash

Um virginiano falando sobre literatura, séries, música e cultura LGBTQIA + Sendo resistência desde que me entendo por gente.