O não a gente ainda não tem

Photo by Phix Nguyen on Unsplash

Saber o seu lugar no mundo é essencial. Mas isso não requer pressa. Não precisa que você pense muito nem que fique procurando e procurando e procurando propósitos perdidos no fundo da Caixa de Pandora. É um verbo em ação, conjugado de diversas formas para tirar seus pés do lugar e manter apenas seu coração: viver.

Essas linhas ali a gente consegue usar para muita coisa. O intuito mesmo é lembrar que o flerte é livre. Que existe vontade, anseio, desejo. Lembrar das várias formas de demonstrar tudo isso. Experimentar o prazer de se expressar. Deixar de lado o esquive, a insegurança, os temores. O não você já tem. Todo mundo tem.

Correr atrás do sim? Às vezes.

Não lembro de todas as ocasiões em que flertei com alguém e não obtive sucesso. Também não me recordo de quantas vezes virou uma conversa, uns beijos e uma transa. O que posso garantir é: tudo aconteceu como deveria. É que forçar os outros a sentir o que você sente não adianta de nada. É trabalho árduo jogado no lixo. Pode ser até problemático, então toma cuidado.

Esse medo de chegar e dizer: “ei, eu te acho lindo”. Isso. Ser direto. Ou o receio de puxar um assunto aleatório. Estamos no século 21 — nem algarismos romanos usamos mais. Redes sociais estão aí, principalmente no meio da pandemia. Aplicativos de namoro — se gostar disso. Dá para conhecer o suficiente de alguém para comentar algum post interessante que veja por ali ou comentar aquele story publicado para criticar uma eliminação do BBB.

De repente, essa insegurança é só uma barreira que você construiu para, cada vez mais, afastar qualquer possibilidade de uma pessoa que sente uma fagulha por você transformar-se em incêndio — metáfora boba, eu sei. É até clichê dizer isso, mas é preciso driblar essa barreira. Ultrapassá-la, derrubá-la, contorná-la ou seja lá quais forem as inúmeras coisas que se possa fazer com esse tipo de construção.

Correr atrás da humilhação? Desculpa, eu tenho cicatrizes demais para entender um “não” confirmado como humilhação. Ah, eu já disse não. Você provavelmente também já disse não. Há inúmeras formas de se dizer não, sim, talvez, vamos conversar, não estou num bom momento ou Deus me defenda. Não sei, talvez só entender que aquela pessoa pode ser imprevisível.

Uma vez me disseram “nossa, eu nunca achei que você fosse me dar bola”. E a gente pensa “ué, o que tem de mais em mim pra alguém pensar isso?”

É por que SEMPRE — e eu não preciso de base científica para provar isso — vai haver alguém que te vê como outro alguém não te vê. Por quê? Porque você SEMPRE verá alguém de um modo que outras pessoas não vêem.

Não, não é uma questão de opinião. Gosto se discute? Às vezes. Mas é, mesmo, uma questão de gosto aqui. Uma questão de demonstrar a vontade, o anseio, o desejo. Experimentar o prazer de dizer “tenho interesse”, “vamo fechar?”, “quer dançar? Quer dançar?”. Conjugar “viver” complementado de “beijar”, de “transar”, de “ser”.

Entender que, uma hora, suas vontades e as de outra pessoa podem se cruzar. Complementar, bem como nas linhas acima. E que não há como saber se dá certo sem tentar.

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Um virginiano falando sobre literatura, séries, música e cultura LGBTQIA + Sendo resistência desde que me entendo por gente.

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Alexandre de Almeida

Alexandre de Almeida

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