eu gosto de ver felizes os que me cercam.
é que, pra mim, a infelicidade é um erro,
um buraco no telhado: vira uma goteira
que vira uma poça que vira um alagamento.
pra mim, a infelicidade é um verdadeiro dilúvio!
se você um dia me disser que está infeliz,
posso até virar barragem.
"isso não é pra mim, não posso deixar me tomar."
e mesmo sendo uma parede, algo vai sair daqui.
"ei, calma aí. vai ficar tudo bem."
e basta isso, com um abraço quente,
pra fazer uma operação simples:
um feliz + um triste = dois felizes.

escolhi meu próprio caminho
dos tijolos não só amarelos,
mas coloridos.
e quem eu puder levar por ele, vou levando.
quer se falem, quer não.
se amem ou não.
se gosto de ambos, não me importo.
há portas abertas por aqui;
o líquido de Bauman entra e sai.
eu fico.

se um dia você chegar pra mim e disser
"estou triste", eu posso até estar também.
só que eu sempre vou dizer
que tudo vai ficar bem.
e eu sei que aquilo não vai servir
só pra você.
existe todo um Universo à sua volta;
girando, imenso, ele te observa.
saia do eixo: tudo desanda.
ninguém fica, ninguém passa.

é por isso que as pessoas
têm medo do otimismo:
elas acham um absurdo ficar tudo bem;
elas crêem que é uma utopia estar tudo bem.
esquecem o desequilíbrio natural do mundo,
torcem pra ser ainda maior.
mas de que vale isso?
achar-se deus de um Universo
repleto de tantos outros como você...

se você fosse um deus, uma deusa,
ou seja lá o que fosse,
lutaria com tantos outros
para mudar algo sem a mínima necessidade.
porque se não está perfeito pra você,
não pode ser daquele jeito.
qual a dificuldade de ter boas expectativas pra tudo?
acha que dói, de alguma forma,
deixar as coisas fluírem naturalmente,
elas alçando vôo
ou se afogando?

vamos - porque você vem comigo! -
pensar em uma maneira diferente de seguir.
a vida, o Universo, as coisas.
todo medo tem um ponto fraco:
a coragem de vencê-lo.
e eu nem precisei do Freud pra pensar nisso.
quem tem medo, vive numa guerra
contra o exército de um soldado só.
mas quem tem coragem nunca está sozinho.

e o otimismo é um medo derrotado.

Um virginiano falando sobre literatura, séries, música e cultura LGBTQIA + Sendo resistência desde que me entendo por gente.

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