Eu pensei que você ia sentir minha falta. Que, mais cedo ou mais tarde, se arrependeria de ter dito não”. Era como se, desde ali, você não se importasse mais com o que eu digo. E, até então, é isso que tem sido. Estar longe, não se ver. Mas todos os dias eu me pego pensando no quanto poderíamos ter seguido adiante — juntos ou separados. Acho, inclusive, que eu devia desencanar. Todos os dias eu desisto. Todos os dias eu volto atrás. Querendo as respostas dar perguntas que não te fiz, fiquei imaginando que seria impossível seguir em frente. Afinal, tanto tempo te vendo, sentindo teu cheiro, teu beijo macio, tuas mãos… O peso do teu corpo contra o meu: faz falta. Até te peço pra conversar comigo, e você me nega mudando de assunto serenamente. E pensar que eu me apaixonei na primeira conversa, e que você disse que me amava primeiro. Lembro que tive dúvida. Não sabia se sentia o mesmo, mas sentia. Senti. No momento, era absurdo. “Mas já?”, pensei. Era, sim, esse sentimento mesmo. Ombros para baixo, sobrancelhas erguidas, seguindo minhas pupilas estrábicas. Te olho de baixo pra cima por cima das lentes dos óculos, como se enxergasse algo sem eles. Desvio o olhar. Procuro a lua pela janela. Queria que ela me aconselhasse, dissesse que era zona segura. Ela queria que eu mesmo descobrisse. Em cada centímetro teu. Em cada pelo. Foi impulsivo, eu sei; você mesmo quis se justificar depois e eu fiquei todo errado. E tudo estava certo, né? Pois bem… Como já te falei outros dias, e até te mostrei páginas do meu diário — que um dia jurei deixar para todos verem e depois desisti da ideia — eu penso em te deixar pra lá, mas o pensamento sai pela culatra e você fica mais pra cá ainda. E agora eu fico perdidinho da vida, carregando pensamentos numa bazuca, pronto para disparar nas folhas de qualquer papel — ou no Word mesmo. É. É foda a situação. Seria mais fácil se tivéssemos nos visto essa semana. Nossa, eu estava pronto para te dizer umas poucas palavras e realmente seguir a vida. Dizer: “porra, eu tava doido pra dizer pro mundo que sou teu namorado. E agora eu quero ir embora e não olhar na tua cara tão cedo.” Sei que você tem pensado toda vez que fala que me ama e eu te respondo com uma figurinha debochada ou alguma coisa que não seja a mesma coisa. É porque não sei mesmo se digo o mesmo. Se ainda é aquela coisa que pensei tanto em dizer da primeira vez. Sigo sendo frágil, tanto quanto você é e se declara, e sentindo o medo todos os dias. É esse medo que me faz ter dúvidas de querer ou não te ter seguindo comigo.

Um virginiano falando sobre literatura, séries, música e cultura LGBTQIA + Sendo resistência desde que me entendo por gente.

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