Sinto falta do tempo em que tinha tempo

Já faz um tempo que não escrevo. Os dias têm corrido muito intranquilos. Cantorias aqui e acolá, os freelas dividindo meu tempo com meus empreendimentos. Mas me pego pensando nas minhas histórias, ainda. No que gosto de escrever nas redes sociais, nas palavras ditas para os amigos, inimigos e afins.

Já faz um tempo que não leio. Não que eu tenha desistido de um dos melhores livros que já li. É só esse cotidiano sem pausas, esse tempo revolto de aproveitamentos ínfimos. Mas Octavia Butler que me aguarde; tenho muito a dizer sobre “A Parábola dos Talentos”.

Existe mais a se escrever e ler no mundo. Eis que esse texto nem fique tão longo. Não é mais o tipo de coisa que me apetece. Talvez eu realmente esteja encantado pelos períodos curtos. Ou eles tenham virado vício. Ou eu só cansei dos rodeios e procuro aderir às obviedades.

Já faz um tempo que não converso as coisas que costumava conversar com meus amigos. Futilidades, inutilezas. Conteúdo para maiores de 18 anos e menores de 30. Aparentemente, sou “muito novo” para entender quem já saiu da casa dos 20. Felizmente, meus amigos da minha “casa” entendem o que eu sinto. Sinto falta deles.

Faz parte do processo de crescimento sair de perto dos amigos? É exatamente o envelhecimento que eu temia: aparentemente sozinho. Mas esse tempo sem escrever ou ler é passageiro. Tal hora eu abro o primeiro editor de texto que encontrar e boto essas coisas pra fora.

Essas loucuras todas fazem parte mesmo é da vida.

Um virginiano falando sobre literatura, séries, música e cultura LGBTQIA + Sendo resistência desde que me entendo por gente.

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