comecei a pensar no assunto não tem muito tempo. não, não faz cinco minutos. na verdade, nos últimos meses andei estudando a possibilidade — na verdade, as inúmeras possibilidades — por trás da frase “saia da sua zona de conforto”. apesar do meu otimismo quase exacerbado, havia uma trave em meus olhos quanto a esses dizeres tão comuns.

aí remeto aos meus devaneios: pensei no trabalho, no TCC e no que a vida profissional tem a me oferecer. é possível comparar todo o sentido da frase destacada a uma faxina na qual você decide mudar a maioria das coisas que tem dentro de casa — faxina que, inclusive, é um ótimo exercício pra mudar os ares.

quando você resolve tirar as coisas do lugar, a casa muda. ela cresce aqui, diminui ali, mas a partir do dia em que tudo se transforma, a visão também muda e você sente a diferença. aqui e ali, as coisas vão continuar mudando de lugar. nada fica devidamente no lugar sempre.

assim acontece com o trabalho — principalmente quando ele envolve estratégias de marketing. sempre tive em mente: se um plano não está dando certo, faça outro. ou outros. aprendi, na prática e no punho, a mudar completamente abordagens que não cumprem com os objetivos da empresa. e tinha que testar até encontrar uma que desse certo, e encontrei. porém, é necessário tomar cuidado com o comodismo.

a coisa vai ficando boa e dando resultados e você não se preocupa em encontrar uma estratégia diferente, que pode fazer o mesmo efeito, e ela acaba ficando monótona demais. será preciso mudar o foco e você não terá nem ideia de o que fazer.

aconteceu com meu TCC. passei quase dois anos investindo na construção de uma revista. fiz estudos de layout, entrevistas e comecei as reportagens, mas estanquei. resolvi, há pouco tempo, mudar de projeto. e sempre me perguntaram “por que você não fez um livro-reportagem?”

é nessas horas que a gente percebe a importância dos questionamentos das pessoas e para pra pensar bem. é nessas horas que a gente decide fazer o livro-reportagem, sair da linha da revista e tentar algo novo pra ver se agora vai. vamos aguardar.

até lá, a gente vai descobrindo os prazeres da vida, principalmente os que existem em experimentar novos rumos. um bom conselho é: olhe para si. veja o que precisa mudar, estude uma nova estratégia e ponha em prática. ok, nem tudo precisa de uma pausa colossal no cotidiano pra acontecer, você só precisa achar que é certo e se colocar à disposição de correr esse risco pra saber se funciona ou não.

pra mim, tentativa só custa tentativa. quando se tem a oportunidade de renovar os passos, a gente agarra. tem mesmo é que “sair da zona de conforto” e viver todas as regalias da vida. vamos cuidar mais das nossas cabeças, focar no pensamento positivo. a certeza de que o sucesso vem é ainda maior quando se está disposto a perder e ganhar — não a condições.

Um virginiano falando sobre literatura, séries, música e cultura LGBTQIA + Sendo resistência desde que me entendo por gente.