Um bom dia, uma boa — e aterrorizante — leitura

Ela estava bem tranquila exercendo seu papel de secretária na Delegacia de Homicídios de São Paulo. Até que um suicídio abriu seus olhos para um mundo de violência e feminicídio, despertando seu ódio por um homem que ainda não conhecia. Por conta própria, Verônica assume o crime que causou o suicídio de Marta Campos ao passo que recebe a ligação de Janete sobre seu amado marido.

A partir daí, a vida de Verônica se entrelaça às suas investigações. E é impossível não ficar vidrado em cada passo que a policial dá. E quando ela finalmente chega perto de desvendar tudo…

A história entregue por Raphael Montes e Ilana Casoy — anteriormente sob o pseudônimo de Andrea Killmore — cria um apego à personagem principal e seus feitos heroicos, sem retirar a parcela de culpa que ela tem em certos acontecimentos. Todos os detalhes dessa trama são muito bem elaborados para deixar o leitor de queixo caído a cada reviravolta.

Do meio para o fim, “Bom Dia, Verônica” se torna tão sanguinolento quanto instigante. Você vai entender quando ler; quanto mais a protagonista se aproxima dos criminosos e entende tudo o que fazem com suas vítimas, mais você se questiona se ela realmente não deveria se transformar no que se transforma ao final do livro.

Graças à série da Netflix — a qual agora posso terminar de assistir em paz, já que terminei o livro — as vozes de Verônica, Janete e Brandão ficaram na cabeça como sendo, respectivamente, as de Tainá Müller, Eduardo Moscovis e Camila Morgado. Escutá-los ressoando na mente só esclarece os motivos pelos quais essas pessoas foram designadas para interpretar personagens tão fortes e complexos.

Bom Dia, Verônica” é uma leitura para tirar qualquer pessoa dos eixos, essa é a verdade.

Foto do livro “Bom Dia, Verônica”, publicado pela DarkSide Books (Alexandre de Almeida)

Um virginiano falando sobre literatura, séries, música e cultura LGBTQIA + Sendo resistência desde que me entendo por gente.

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