Um parágrafo sobre medo

Ver os números, as mudanças, as reações e o silêncio tem me assustado diariamente. Tenho esperanças. Muita gente tem. Mas será possível que ninguém sente o que sinto? Tenho medo. Não das pessoas à minha volta. Tenho medo das que estão por perto e também das distantes. É que a revolta atinge todo mundo. Há sempre um estopim para que acontecam e eu, sinceramente, não quero nem pensar no que pode ser. Talvez eu até queira, para ver se consigo um jeito de interrompê-lo. A gente fala como se tivesse poder para tal, né? Mas é essa a vontade individual. Às vezes, coletiva também. O medo vira coragem, uma hora ou outra. E nos esquecemos que somos feitos de carne e osso; partimos pra cima com tudo e, no último segundo, nos lembramos dele. Naquele momento, já não importa mais.

Um virginiano falando sobre literatura, séries, música e cultura LGBTQIA + Sendo resistência desde que me entendo por gente.